Extractos de um texto de Nicolau Santos no Expresso
A TRISTE realidade é esta: Portugal encontra-se hoje fora das rotas do investimento directo estrangeiro (IDE). Mais: no estádio de desenvolvimento intermédio em que se encontra, Portugal não apresenta nenhuma vantagem competitiva que o distinga de outros países por forma a atrair um ou dois grandes investimentos estruturantes.....
.... é esta a situação retractada num estudo do Ministério das Finanças, onde se sustenta que Portugal está «cercado» na captação de IDE pelas regiões autonómicas espanholas, como a Catalunha e a Andaluzia, e pelos países da Europa Central e do Leste...
....Os problemas portugueses têm que ver, essencialmente, com a qualificação dos recursos humanos. A receita é aumentar a formação por todos os meios. Os resultados dessa política, contudo, serão a médio prazo. E o duro combate pela captação de IDE trava-se agora. Nesse sentido, há algo que se pode e deve fazer:
- Adoptar e multiplicar o exemplo da «Academia Auto», uma iniciativa da VW/Siemens/Bosch para formar recursos humanos necessários a essas empresas num prazo muito curto;
- Desenvolver o projecto «Défices de capital humano», idealizado pela API, através do qual será possível dispor de informação relativa aos diplomados e finalistas dos cursos do ensino secundário, pós-secundário e superior em áreas técnicas e tecnológicas, para que se possa accionar, caso a caso, respostas rápidas para cada projecto de investimento que o solicite.
Por aqui se vê como o défice no ensino geral e na formação específica é alto.
Os resultados de uma política de formação aguerrida só serão visíveis a médio prazo.
Assim as necessidades hoje sentidas, resultam de políticas incorrectas do passado.
Mas é preciso modificar este estado e muito rapidamente, senão perderemos definitivamente o comboio da Europa.
Os novos países que integrarão a UE no próximo ano, tem níveis de formação que superam a média da UE, pelo que a nossa posição dentro da UE ficará ainda mais fragilizada.